Era assim que eu costumava chamar o Nadal na época em que eu realmente passava mal assistindo seus jogos; essa referência ao álbum da banda inglesa Pink Floyd veio pela maneira como o espanhol sempre se comportou em quadra, não exist(ia)e bola perdida, quem quisesse vencê-lo sempre teria que jogar mais uma bola e mais uma bola e mais uma bola e assim sucessivamente até que o adversário fizesse uma jogada absurda ou errasse e desse o ponto ao espanhol, uma vez que The Wall se trata de um muro construído na mente de uma pessoa para segurar um outro lado seu fraco, psicótico e depressivo.
Todo esse volume de jogo sempre dependeu de uma mente muito forte, é fácil manter uma mente forte com um série boa de vitórias contra jogadores do seu nível ou um pouco melhores que você, mas como manter essa força mental quando as vitórias param de vir? Roger Federer talvez dissesse que isso é firula, que esse lance de cabeça é psicológico e que quem sabe fazer, faz ao vivo; concordo totalmente com a minha projeção de discurso do suíço, mente fraca no tênis é algo totalmente psicológico, não se trata só de se ter confiança para jogar contra alguém, mas sim do quanto você acredita que possa vencer aquele jogador.
Um exemplo que eu sempre gosto de usar é o Juan Martin Del Potro que chegou à final do US Open vindo de 6 derrotas seguidas pro Federer sendo 3 só no ano de 2009 com direito a uma bicicleta no Aberto da Austrália; seguindo esses dados, era massivo o pensamento de que o argentino entraria em quadra com a confiança no chão e tomaria uma surra do suíço, no entanto o argentino mandou um cala boca, entrou em quadra decidido a vencer o torneio, acreditando que poderia sair dali campeão e conseguiu, jogou 5 sets em um nível absurdo e faturou seu primeiro grand slam; ainda naquele ano Delpo venceu o Federer mais uma vez.
Existem muitos outros casos como este na ATP, no entanto o caso do Nadal não é só este, além da presente ausência da consciência de que ele pode vencer qualquer um existe também um problema de tática que se arrasta com ele há anos. Apesar do alto nível técnico apresentado pelo espanhol sua tática de jogo é muito precária, de modo que se o adversário sucumbe à tática pré-definida ele leva o jogo; se o adversário consegue neutralizar a tática mas não apresenta riscos ao jogo do espanhol, ele sofre mas vence a grande maioria das vezes; agora se o adversário neutraliza a tática do espanhol, aumenta seu volume de jogo e começa a empurrá-lo contra a parede ele se encolhe, começa a lançar bolas curtas e com efeito e vai sucumbindo lentamente. Um belo exemplo destas falhas táticas pôde ser visto na final deste domingo, não é de hoje que todos sabemos que o jogo do Murray incomoda demais o Nadal, bastou apenas o Murray acreditar que ele podia levar o título e tivemos um escocês sobrando em quadra, um espanhol desaparecendo e vencendo apenas 4 pontos no set decisivo, vencido por 6/0 pelo escocês.
Nos jogos contra o Djokovic a receita explosiva é a mesma, pegue um tenista cheio de certeza de que ele pode ser grande após trazer o orgulho máximo para seu país no tênis, o título da Copa Davis; adicione um tenista com problemas em adaptar sua tática ao longo de um jogo, com golpes que as vezes nem ele confia muito e você tem um prato cheio pra um desastre; basicamente o Djokovic encontrou todos os pontos onde o jogo dele incomoda o Nadal, enquanto este não consegue adaptar seu jogo para superar seu algoz.
Muitas dessas falhas táticas podem ser, talvez, justificadas pelo fato de o espanhol não ser naturalmente canhoto, quem sabe o volume que seu jogo teria se ele fosse destro em quadra? Quem sabe a diferença que faria se ele treinasse com um técnico com idéias revolucionárias? E por aí vão as perguntas ‘e se?’ ‘e se?’ ‘e se?’.
O que eu vejo acontecendo agora é o final do show Pink Floyd – The Wall, onde após ser construído, o muro vai desmoronando aos poucos libertando uma enxurrada de sentimentos negativos, dúvidas e males que estavam escondidos lá no fundo, o ano não foi dos piores com 10 finais, mas apenas 3 títulos, estivesse a mente em dia, poderíamos ter 10 títulos. No final, os que mais perdem com isso somos nós fãs, enquanto Roger Federer sabe o potencial que tem, a idade mental parece ter chegado e o suíço não consegue mais exibir seu nível absurdo de tênis; Novak Djokovic sabe de todo seu potencial e não vê ninguém que possa fazer frente à seu volume de jogo, Andy Murray precisa ser convencido do ótimo jogador que é e Rafael Nadal precisa se lembrar quem ele é, do que ele é capaz e recuperar aquela velha vontade de vencer apesar de qualquer coisa.
Esse post foi meio que um desabafo que tava preso aqui há algum tempo, espero ter falado por uma grande maioria dos fãs do Nadal aqui e peço desculpas se não me fiz entender mais claramente.




Perfeito o post, o muro de confiança do Nadal realmente está ruindo. Lembro dos tempos que eu achava que ele era invencível. Esse ano, perder “n” vezes pra Djokovic, um cara que era freguês dele até então, afetou sua confiança de forma que outros tenistas começaram a ver que era possível vencê-lo também. E nem estou falando de Murray, e sim de Cilic e Fish, além de se complicar em jogos que antes não rolaria nenhuma tensão. Como os jogos em RG, onde ele sempre reinou, onde se complicou conta Isner e Andujar.
Djokovic abriu um buraco emocional do Nadal e também criou confiança para os outros tenistas que é possivel ganhar do Nadal, algo que antes era impossivel. Essa receita de baixa confiança x alta confiança pode ser fatal!
Poxa, eu concordo contigo em tudo isso !
Já vi Rafa absoluto e nenhuma bola era perdida.
Estou triste, chateada e um pouco decepcionada pela partida de ontem, mas, bola para frente, pois o próprio Rafa já deve estar cheio de pensamentos e não estou aqui para detonar quem me deu tantas alegrias !!!!
belo post tambem to com essa opinião o nadal tá se deixando levar por adversarios que antes eram alvos faceis como nole e murray isso é muito preocupante ainda mais pra quem é fã
Não sei se essa “má fase” do Nadal (milhões de aspas aqui) é algo definitivo. O negócio é que no ano passado, ele ganhou tudo. Isso cansa mentalmente. Somando isso à freguesia para o Djokovic, acho que o Rafa meio que relaxou mesmo. É bem provável que a gente veja o mesmo processo acontecendo com o Djoko em 2012.
Ótimo o post Marden! Concordo com vc em alguns pontos, mas acredito que essa fase de Nadal seja algo bastante natural. É preciso observar que ele mudou muito sua forma de jogar, nos últimos anos, em função das lesões (precisava aumentar seus anos de circuito) e das quadras rápidas (queria ganhar títulos fora do saibro). Essa mudança consistiu em sacar melhor e diminuir o tempo dos jogos, sendo mais agressivo e não baseando seu jogo somente no fundo de quadra. Essa mudança não lhe foi algo natural. A pedra bruta que antes encantava por não desisitir de nenhuma bola ou que conseguia “viradas” fenomenais sobre os adversários, justamente por prolongar os pontos, passou a ser um jogador mais técnico, chegando mesmo a espantar seus críticos com voleios satisfatórios e um número considerável de aces (algo tão raro em seus jogos). Resultado: aumentou seus anos de circuito e venceu os dois GS até então improváveis de serem vencidos, Mas tudo tem seu preço. Manter sempre o mesmo nível de jogo temporadas a fio, ainda mais fugindo completamente ao estilo de jogo que lhe é natural, não é uma tarefa fácil, mesmo para o jogador cujo mental foi sempre o ponto forte. Por outro lado, seu adversário de geração, Djokovic, parece não só ter treinado bastante mas também ter treinado em função de seu jogo, analisando características e deficiências até então não exploradas em seus confrontos. O plano de jogo do sérvio parece envolver sempre um futuro enfrentamento com Nadal nas finais do torneios. E é isso que tem acontecido. Vencer Djokovic na final do UsOpen/2010 era o que mais todos se perguntavam se ele conseguiria fazer. E fez. Nadal conseguiu atingir um status que pouquíssimos tenistas atingiram: vencer todos os 4 Slams.
2011 é uma outra história! Seu principal adversário deixou de ser Federer, tenista do qual ele conhece o jogo como a palma da mão. Seu adversário agora é Novak Djokovic, que não só fez uma temporada impecável mas também apresentou-lhe um novo ‘status’: a possibilidade da derrota. O que percebo na insegurança de Nadal é justamente em seu plano de jogo. Quando algo não sai como o esperado (o saque não entra, as bolas ficam na metade da quadra), ele sucumbe não para o adversário, mas para si mesmo. Djokovic tem todos os méritos, claro, não adianta somente o adversário jogar mal, ainda assim é preciso saber vencê-lo. Acredito que Nadal esteja no caminho. O importante é chegar às finais dos torneios, habilitar-se a vencê-los. Encontrar os antídotos, voltar a superar deficiências. Querer muito jogar e vencer nessas quadras. O primeiro set contra Murray em Tóquio mostra que ele sabe percorrer o caminho. Se conseguir manter a intensidade e o estilo de jogo, não vejo como não dar a volta por cima. No entanto, é preciso enfatizar que a geração de Nadal está mais amadurecida tanto física quanto mentalmente (ele é que foi o garoto precoce) e o mais natural é que os tenistas se revezem quanto aos títulos. É preciso esperar pra ver, mas de todos os jogadores que já aparecerem no circuito, Nadal é o que me parece ser o que mais aprendeu com a palavra superação. Depois de constatado esse novo status, acredito que ele busque novas alternativas para continuar levantando troféus! Vamos esperar e torcer!